Infodemia: o desafio de combater a desinformação durante a pandemia de Covid-19

Foto: Mika Baumeister, via Unsplash

Por Jussara Assis. 

Diante do aumento dos casos de Covid-19 no mundo, desde março de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que se tratava de uma pandemia. Como medida de controle do avanço da doença, muitos países adotaram o isolamento social. Aqueles que podem ficam em casa, trabalham, consomem e compartilham informações também em casa. A busca por informações sobre o fim da pandemia, sobre as formas de prevenção e estatísticas de avanço ou retração da doença agora fazem parte da rotina de milhares de pessoas. Desde que acordamos e conferimos as redes sociais, sites de notícias, programas de TV e rádio, somos bombardeados com dados e informações sobre a Covid-19. Assim, diante de uma produção e circulação de conteúdo desmedidas, as autoridades mundiais alertaram para o fenômeno da infodemia, que se caracteriza exatamente pelo excesso de informações.

Com o agravamento dos casos de Covid-19 no Brasil e no mundo, uma enorme quantidade de informação passou a ser veiculada em diversos canais de comunicação, como em revistas, jornais, portais de notícias, rede sociais e aplicativos de troca de mensagens. Entre os conteúdos produzidos, há informações relevantes, mas há também informações equivocadas sobre o vírus, que, por sua vez, se espalham amplamente nas redes e dificultam o acesso a conteúdos confiáveis.

De acordo com o International Center for Journalists (ICFJ), a infodemia de Covid-19 possui quatro principais formatos de desinformação que basicamente se configuram em: 1°) construções de narrativas emotivas e memes; 2°) imagens e vídeos alterados, produzidos e descontextualizados; 3°) campanhas produzidas para desinformar e também coletar dados do público e 4°) fontes falsas que se passam por sites oficiais.

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) publicou um documento informativo sobre a infodemia em que afirma que “Em uma pandemia, a desinformação pode prejudicar a saúde humana. Muitas histórias falsas ou enganosas são inventadas e compartilhadas sem que se verifique a fonte nem a qualidade.” Fazendo também um alerta: “Grande parte dessas desinformações se baseia em teorias conspiratórias; algumas inserem elementos dessas teorias em um discurso que parece convencional.”

O fato é que estamos diante da primeira pandemia da era da mídia social com múltiplas telas e canais de disseminação de conteúdo. Assim, com o aumento desenfreado da produção e facilidade para o compartilhamento de informações, o trabalho de filtrar as fontes confiáveis passa a ser fundamental e ainda mais desafiador. Informações falsas, as famosas fake news, são divulgadas com o objetivo de enganar e com isso desinformar a população. Sobre o tema, você pode verificar a entrevista concedida ao CCM e disponível aqui no blog, do professor Ivan Paganotti, um dos idealizadores do projeto “Vaza Falsiane”, voltado para o combate das fake news e da desinformação.

Diante desse cenário, o jornalismo e os canais de comunicação têm pela frente um importante desafio em combater a desinformação em meio a uma infodemia da Covid-19, empregando ferramentas corretas e possibilitando uma educação midiática. E é nesse momento de disputas de narrativas que se faz necessário pôr em prática o exercício da dúvida, buscando a verdade dos fatos, observando sempre as fontes e o contexto em que as mensagens são veiculadas. O combate à desinformação evidencia a necessidade da educação midiática para que se consuma informação de forma reflexiva e, principalmente, para que se produza conteúdos com ética e responsabilidade.

Nesse sentido, entre os dias 18 e 20 de março, início da quarentena no Brasil, o Instituto de Pesquisa Datafolha publicou uma pesquisa que demonstra que, durante o combate à Covid-19 no Brasil, o jornalismo profissional foi avaliado como a fonte mais confiável sobre a doença. Segundo a pesquisa, TVs e jornais lideram com 61% e 56%, respectivamente, o índice de confiança sobre o tema. Em seguida vêm os programas jornalísticos de rádio (50%) e sites de notícias (38%).

No dia 23 de março de 2020, a Associação Nacional de Jornais (ANJ) organizou uma campanha em que, pela primeira vez na história do país, os jornais impressos brasileiros publicaram uma mesma mensagem em suas capas: “Juntos vamos derrotar o vírus: unidos pela informação e pela responsabilidade” e assinaram com a hashtag #imprensacontraovirus. A unificação dos veículos buscou realçar o papel do jornalismo no combate à Covid-19 e no enfrentamento à desinformação.

Capas dos jornais na campanha ANJ “Imprensa contra o vírus” Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

Desse modo, especialistas e jornalistas estão unidos para desmentir falsas notícias, ampliando o serviço de monitoramento e checagem dos fatos. Entre as medidas adotadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para o combate às informações falsas, está a parceria com importantes mecanismos de buscas, redes sociais (Facebook, Google, YouTube, Twitter, TikTok, Pinterest, entre outras) e empresas digitais para monitorar os conteúdos e remover mensagens inverídicas.

Durante a pandemia, informações relevantes são importantes para nos mantermos seguros e conscientes sobre o cenário em que estamos. Procure fontes confiáveis de informação, e dê prioridade por informações oficiais da Organização Mundial da Saúde e veículos de notícias verificados. A seguir, listamos algumas opções para facilitar a checagem de dados e combater a desinformação sobre a Covid-19.

GOOGLE SOS ALERTA CORONAVÍRUS

Desde janeiro de 2020, o Google disponibilizou um recurso para auxiliar no combate à desinformação sobre a Covid-19. O Google SOS Alerta visa garantir que as informações mais emergenciais sobre o vírus estejam facilmente acessíveis. Ao fazer uma busca pela doença, o Google sinaliza o Alerta de Covid-19 e, baseado na localização, apresenta um painel com as principais notícias do dia, recursos locais e nacionais, perguntas frequentes sobre a doença, publicações do Twitter em âmbitos municipal, estadual e federal;  estatísticas sobre a doença e informações sobre prevenção. Clique aqui e verifique as informações do dia de acordo com sua localização.

UNESCO

A UNESCO publicou dois resumos de políticas que oferecem informações críticas sobre a crescente desinformação relacionada ao Covid-19, que está impedindo o acesso a fontes e informações confiáveis. Clique aqui para saber mais sobre a campanha.

COMPROVA

O Projeto Comprova é uma iniciativa sem fins lucrativos que reúne jornalistas de 24 diferentes veículos de comunicação brasileiros. O objetivo do projeto é descobrir e investigar informações enganosas sobre o coronavírus compartilhadas nas redes sociais ou por aplicativos de mensagens. Acesse www.projetocomprova.com.br para mais informações sobre a iniciativa.

COVID VERIFICADO

O COVID Verificado é uma plataforma criada por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) com o objetivo de fazer a checagem científica de informações relacionadas à doença causada pelo novo coronavírus. Acesse o site para mais informações www.covidverificado.com.br.

MINISTÉRIO DA SAÚDE

O Ministério da Saúde criou uma página na internet para o acompanhamento e consulta de informações oficiais do Governo sobre a Covid-9. Acesse www.coronavirus.saude.gov.br  e saiba mais.

Jussara Assis é mestranda do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da PUC Minas.

Referências

Entendendo a infodemia e a desinformação na luta contra a COVID-19 – Folheto informativo – Mais informações sobre a COVID-19. Organização Pan-Americana da Saúde – OPAS.  Disponível em https://iris.paho.org/bitstream/handle/10665.2/52054/Factsheet-Infodemic_por.pdf?sequence=1&isAllowed=y. Acesso em 27 de mai. 2020.

POSETTI, JULIE e BONTCHEVA, KALINA. Temas e formatos da desinfodemia sobre COVID-19, segundo pesquisa da ONU-ICFJ. IJNet. Disponível em https://ijnet.org/pt-br/story/temas-e-formatos-da-desinfodemia-sobre-covid-19-segundo-pesquisa-da-onu-icfj. Acesso em 27 de mai. 2020.

Jornalismo profissional ganha força na pandemia de coronavirus. O Globo. Disponível em https://oglobo.globo.com/sociedade/coronavirus-servico/jornalismo-profissional-ganha-forca-na-pandemia-de-coronavirus-24337628. Acesso em 30 de mai. 2020.

5 passos contra a infodemia. Educamídia. Programa de Educação midiática. Disponível em https://educamidia.org.br/api/wp-content/uploads/2020/03/5-passos-contra-a-infodemia.pdf. Acesso em 30 de mai. 2020.




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