O texto abaixo é a transcrição da fala da professora Sandra Tosta, jornalista e Doutora em Antropologia Social, durante o lançamento da Revista PUC Minas. Quem não esteve lá, pode conferir aqui. Aliás, vale contar que todos os alunos, professores e funcionários vão receber a revista poder conferir a reportagem sobre o embrião que está publicada nesta primeira edição.
Falar de comunicação, estudar comunicação e cultura, pensar e agir como educadora e cidadã são marcas que atravessam minha formação pessoal e profissional, minhas atividades na Puc-Minas. História que começou há pelo menos 30 anos, quando ingressei, aprovada no vestibular, na Faculdade de Comunicação da universidade.
As andanças pelo Vale do Jequitinhonha, nos anos de agonia da ditadura, definiram minha opção pela academia. Mas não deixei de experimentar o “mercado”- especialmente rádio, minha paixão, e assessorias de comunicação.
Falar da Revista PUC – Minas, hoje, além de uma honra, é o alimento e a crença de continuarmos sonhando! Sonhando e lutando por uma sociedade melhor!
Em um contexto ruidoso em que, definitivamente, informação não pode ser tomada como conhecimento e nem como geradora de sabores e saberes, como fala o Arcebispo Dom Walmor. Lembrei-me de um velho mestre da semiologia, do estudo das linguagens, Roland Barthes, em sua magistral Aula, pronunciada no dia 07 de julho de 1977 no Colége de France. E por nós lida com muito sabor e arte, alegria e esperança, quando foi impressa em um livro editado e disponibilizado aos estudantes brasileiros no ano seguinte, em 1978.
Dentre as questões doa língua e do poder, Barthes nos sugere, também e metaforicamente, que a escritura se encontra em toda parte onde as palavras tem sabor-que guarda com o saber a mesma etmologia em latim. Se na culinária é preciso que as coisas tenham o gosto do que são, na ordem do saber, para que as coisas se tornem o que são, o que foram, é necessário esse ingrediente, o sal, eu acrescentaria, o açúcar, das palavras. É esse gosto das palavras que faz o saber profundo.
Deste os anos de 1970 para cá, muita coisa mudou, em velocidade e intensidade cada vez maiores. E no cerne destas mudanças está, sem dúvida alguma, a mídia, a comunicação como a ferramenta mais primeva de entendimento entre os homens, exprimindo relações de troca como base fundante da sociedade. E como uma onda que chega para superar outras, não faltou quem previsse o fim do texto impresso, o fim do livro, o fim do conhecimento, o fim da escola, o fim das palavras, e os mais apressados, o fim da história!
Entretanto, o que assistimos não é uma onda devastadora de tudo que não lhe comporte, mas uma inteligente releitura de velhos e novos suportes tecnológicos que são indispensáveis ao aprender na nossa cultura e na cultura dos outros, conhecer com sabor e arte. Manter a palavra como uma das mais preciosas de nossas conquistas, na busca pelo conhecimento que humaniza, como bem diz Dom Joaquim Mol.
Pois bem, é assim que vejo a iniciativa da PUC-Minas em ter a sua publicação, que foi pensada, cozida em fogo brando, pacientemente temperada. E só assim, seria possível te-la como a tradução de uma universidade que se quer cada vez mais universalizada, onde as trocas, as socializações, realizações e conquistas, aprenderes e fazeres sejam compartilhados por todos nós.
Revista PUC-Minas, o espaço da socialização de idéias, da difusão de projetos, de avanços, revelando uma instituição dinâmica, mobilizada para a pesquisa e a extensão, em diálogo com os dilemas de nossa sociedade, mas não só. Em diálogo com uma sociedade mundializada, onde, muito do que antes era restrito a um local, ou região, hoje são questões que atingem a vida de todos no planeta.
Assim, a Revista se mostra dede esta bela edição inaugural a maturidade de uma equipe sintonizada com as questões de nosso tempo. E ao pautar tais questões, não é no sentido de que tudo está resolvido, mas, revelando nas inúmeras realizações de nossos pesquisadores, professores, alunos, na graduação, na pós e nos mestrados e doutorados, o quanto ainda há por ser feito.
Tive o privilégio de degustar a publicação antes de seu lançamento e digo do prazer de ler na íntegra uma produção editorial de alta qualidade técnica, compromisso político, acadêmico e ético, que tanto articula os valores que ensejam a identidade de nossa PUC-Minas.
Parabéns a todos, longa vida à Revista PUC- Minas!
B.HTE, 20 de maio do ano de 2010.





